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Oi. Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Sei lá...Queria te escrever alguma coisa, uma carta que conseguisse te sensibilizar, te tocar, te mover. Seria num papel lindo, daqueles que tenho em casa. Escolheria o mais lindo, o mais delicado. Mas não consigo. Minha mente parece congelada, parada, zerada. Não tenho uma frase completa. Nada. Os enjoos não passam. O tempo passa e continuo quase estática. Parece que já estou programada para as atividades vitais, o que inclui o trabalho também. Você tem se mostrado como é: calado, ausente, na sua... Mas, pensando bem, você sempre foi assim, sem muitas atenções. No silêncio, estamos. E quando surge alguma palavra, é no máximo: está frio, está quente. Nada que altere. O que me acalenta é que és um ser bom. Minhas unhas estão horríveis. Há um restinho de um esmalte clarinho que mais parece uma base. Nem sei quando fui à manicure pela última vez. Ah, o cabelo nem se fala. Ainda bem que existem elásticos e grampos. Ontem, tive um sonho. Nada demais, mas acordei bem. Às vezes a gente sonha e não se lembra, ou sonha um sonho aparentemente sem importância, mas acorda com uma sensação de bem estar sem algo a explicar, entende? Então, fiquei uns minutos assim...achando que o dia seria diferente. Engano. Logo, os enjoos voltaram e nem o colorido alaranjado do outono que a janela revelava fazia algo mudar. Uma vontade imensa de sair correndo. Mas para onde? Enquanto isso, sei que não moves, será que pensas?